Fomos ensinados a ver o mundo de uma forma fantasiosa. Num mundo onde a globalização é o principal motivo de melhoria de vida e que, através dela, há um progresso na economia e no desenvolvimento da educação e outros fatores. Isso é mentira.
Para Milton Santos, se quisermos que esse conceito não seja admitido, “devemos considerar a existência de pelo menos três mundos num só. O primeiro seria o mundo tal como nos fazem vê-lo: a globalização como fábula; o segundo seria o mundo tal como ele é: a globalização como perversidade; e o terceiro, o mundo como ele pode ser: uma outra globalização”.
Diz-se que a globalização é mundial, ou seja, que ela tem o poder de unir todo o planeta, mas cada país é um país, cada local tem suas diversidades, sejam elas culturais, econômicas ou sociais. Não há, por exemplo, como dizer que o consumo existente nos Estados Unidos é o mesmo da África, pois não é. A globalização não une, apenas afasta. Essa é a parte fantasiosa do mundo. Ela é perversa, pois através dela, o desemprego não acaba, a pobreza aumenta cada vez mais, a fome se generaliza em toda parte do mundo, a mortalidade infantil continua e, principalmente, não há uma educação de qualidade. No entanto, ainda há esperanças. Se a globalização puser-se às avessas e suas bases técnicas forem usadas humanamente, ainda poderá existir um mundo melhor.
O capitalismo comanda. Este mostra o fator que determina a história, o motor único, que se tornou possível graças à internacionalização, na qual um elemento depende , é atraído, imposto e contém outro. A internacionalização veio com a mais-valia universal, que, como o próprio nome já diz, espalhou pelo mundo produtos, dinheiro, crédito, dívida, consumo e informação. Ou seja, com a globalização, manda quem tem mais, sendo que um lugar tem menos que outro.
A globalização deve servir não apenas para os lucros e capitalismo, mas para as pessoas. Ela será de serventia para a humanidade, quando, efetivamente, trabalhar com ética, inclusão, sustentabilidade, equidade, segurança e desenvolvimento, nos quais os direitos humanos não serão mais violados, as pessoas não serão mais marginalizadas, o ambiente será mais protegido e, fundamentalmente, a pobreza e privatização diminuirão.

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